Por David Parsons, Vice-Presidente & Porta-Voz Sênior da ICEJ
Traduzido por Julia La Ferrera

“Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos.” Zacarias 14:16

Esta é a quarta parte de uma série especial de ensino aqui no Webinar Semanal da ICEJ, onde estamos falando sobre os Dias Sagrados Judaicos, que estão chegando em apenas alguns dias. Primeiro, meu colega, Dr. Mojmir Kallus, começou com um ensinamento sobre Rosh Chodesh, ou a observância judaica da festa da Lua Nova a cada mês, de acordo com o calendário hebraico. Então, na semana seguinte, ele explicou como o Rosh Hashaná, ou o Dia das Trombetas, é uma versão especial dessas festias de lua nova, pois marca o início do sétimo mês de Tishrei, quando todos os feriados de outono acontecem. Na semana passada, nosso Presidente, Dr. Jürgen Bühler, deu continuidade com um ensino sobre o significado de Yom Kippur, ou o Dia da Expiação, o dia mais sagrado do judaísmo.

Agora, todos esses ensinos foram excelentes, com grandes insights bíblicos do Antigo e do Novo Testamento, bem como referências acadêmicas ao Talmud e outras antigas fontes judaicas e rabínicas. Portanto, recomendo fortemente que você assista a esses webinars no canal da ICEJ no YouTube, se ainda não o fez. E Jürgen e Mojmir certamente elevaram o nível para mim, enquanto tento explicar o significado da festa de outono final, Sucot, e por que celebramos a Festa dos Tabernáculos.

Nations flags during Feast of Tabernacles, Southern Steps

De fato, muitas vezes nos perguntam por que milhares de cristãos vêm a Jerusalém todos os anos para celebrar a Festa dos Tabernáculos? Afinal, isso não é um “feriado judaico”? A resposta está na natureza única e universal desta festa bíblica e sua relevância passada, presente e futura não apenas para Israel, mas para todas as nações.

Mas primeiro, vamos revisar rapidamente o que vimos até agora, porque essas festas estão todas ligadas, e seguem uma certa progressão ou jornada espiritual. Aprendemos que Rosh Hashaná é quando um toque de trombeta especial é ouvido para despertar a alma para a introspecção e arrependimento, porque estamos prestes a comparecer diante de Deus em julgamento. Então, pelos próximos dez dias, estamos maravilhados com Deus enquanto nos preparamos para receber Seu veredicto em Yom Kippur, ou o Dia da Expiação. Este é um dia para “afligir a alma” e humilhar-se diante do Senhor, para que Ele possa perdoar os pecados da nação por meio de um sacrifício expiatório. E se você passar no teste e for aprovado por Deus, cinco dias depois é hora de se regozijar em sua salvação em uma festa conhecida como Sucot, ou a Festa dos Tabernáculos.

Então, podemos ver que há um processo, ou jornada espiritual, que se deve fazer durante esses Dias Santos, que é apresentado em sucessão em Levítico capítulo 23. Então, esperamos que ajude você a apreciá-los mais, à medida que estamos prestes a chegar a Rosh Hashaná, no próximo domingo à noite, 25 de setembro, e então Yom Kippur, começando na noite de 4 de outubro, seguido por Sucot quando a lua cheia nasce, em 9 de outubro.

Uma festa alegre para todos os povos
Com esse pano de fundo, quero começar observando dois aspectos de Sucot que o tornam muito único. Primeiro, é uma festa de alegria. Na verdade, você é ordenado a se alegrar. Levítico 23:40 diz: “No primeiro dia, tomareis para vós outros frutos de árvores formosas, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros de ribeiras; e, por sete dias, vos alegrareis perante o Senhor , vosso Deus.” Então, na verdade é uma mitsvá, ou boa ação, ser feliz por uma semana inteira nesta festa. Esta também é uma festa da colheita de outono, e deve ser marcada com grande alegria na colheita da generosidade da Terra. Os rabinos também dizem que Israel foi chamado para instruir as nações nas leis de Deus e deveria ter grande alegria nessa tarefa, especialmente em Sucot. Por quê?

Bem, isso nos leva ao segundo aspecto único da Festa dos Tabernáculos. Das três grandes festas de peregrinação que Deus deu a Israel no deserto – Pessach (Páscoa), Shavuot (Pentecostes) e Sucot (Tabernáculos) – é a mais universal das três. Isso ocorre porque as nações gentias também foram convidadas, nos tempos antigos, a subir a Jerusalém nesta época de colheita para adorar ao Senhor, ao lado do povo judeu.

Esta tradição surgiu primeiro da ordem dada a Moisés, de que Israel deveria sacrificar setenta touros em Sucot, que foram oferecidos pelas setenta nações descendentes dos setenta filhos de Noé (ver Números 29:12-35 e Gênesis 10:1ss). O povo judeu entendeu, a partir desse mandamento, que eles serviam um papel sacerdotal para todas as nações, oferecendo sacrifícios específicos em Sucot e orando para que os gentios conhecessem o único e verdadeiro Deus Criador, o Deus de Israel.

Mais tarde, vemos o rei Salomão dedicando seu templo em Sucot, e lembramos como naquela época ele clamou ao Senhor para ouvir as orações de todos os estrangeiros que vinham lá para orar (II Crônicas 6:32-33). Assim, Jerusalém e o Templo foram chamados e destinados desde o início a serem uma “casa de oração para todas as nações” (Isaías 56:7; Mateus 21:13). Assim, desenvolveu-se a tradição de que Israel esperava e acolhia as nações gentias em Jerusalém, para adorar a Deus em Sucot, e eles procuravam ensinar-lhes Sua lei com alegria.

Guardar e Lembrar
Há outro aspecto de Sucot que não é tão único em relação às outras festas de peregrinação, e de fato é comum a todas as festas judaicas. Cada feriado bíblico dado ao povo judeu tem três facetas. Israel foi ordenado a observar a festa no presente, de modo a lembrar-se de algo que Deus fez no passado, e aguardar um propósito profético futuro, escondido dentro de cada festa.

Assim, por exemplo, os judeus começam o Shabat a cada semana acendendo duas velas, que significam “Guardar” e “Lembrar”. Ao fazê-lo, eles se lembram de como Deus descansou no sétimo dia da Criação, enquanto também aguardam o descanso milenar prometido para toda a Terra na Era Messiânica por vir.

Da mesma forma, a Páscoa e o Pentecostes relembram o poderoso Êxodo do Egito e a entrega da Lei no Sinai, enquanto seus propósitos proféticos ocultos foram cumpridos na morte e ressurreição de Jesus e no nascimento da Igreja cinquenta dias depois. Agora, observe como essas festas da primavera estão ligadas pela contagem do ômer de grãos por sete semanas, e como seus propósitos proféticos foram cumpridos em uma estação na primeira vinda de Jesus. Por favor, mantenha isso em mente enquanto avançamos para as festas de outono.

A Festa dos Tabernáculos, ou Sucot, é a terceira grande festa anual de peregrinação, quando o povo judeu deve comparecer perante o Senhor em Sião, ou Jerusalém. E este é um momento em que eles não apenas se lembram da provisão de Deus no deserto, mas também olham para a prometida Era Messiânica, quando todas as nações fluirão para Jerusalém para adorar o Senhor e aprender Seus caminhos (veja, por exemplo, Isaías 2:1 -4 e Miquéias 4:1-3). Então, vamos olhar mais de perto para essas três facetas de Sucot – seu passado, presente e futuro.

O Passado: Lembrando a Provisão de Deus
O símbolo mais visível de Sucot são as pequenas cabanas ou barracas nas quais os israelitas foram ordenados a habitar durante a Festa dos Tabernáculos (Levítico 23:33-43). Aqui, a Bíblia diz: “Sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais de Israel habitarão em tendas, para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor , vosso Deus.”. (Levítico 23:42-43) Assim, as famílias judias em Israel constroem essas barracas improvisadas em seus pátios e sacadas, e as decoram com frutas coloridas, fitas e fotos. Algumas famílias fazem suas refeições na sucá e até dormem lá com as crianças à noite. Para se qualificar como sucá kosher, a barraca ou tabernáculo, precisa de pelo menos três lados e um telhado de galhos que permita que você ainda olhe para cima e veja o céu, a lua e as estrelas à noite.

Essas barracas frágeis servem como um lembrete para Israel, de que uma vez eles moraram em cabanas improvisadas, durante os quarenta anos de peregrinação no deserto. Era um ambiente hostil, e eles eram totalmente dependentes do Senhor. No entanto, durante esse tempo, Deus sempre foi fiel em fornecer-lhes água da rocha, maná do céu, codornizes e tudo o mais que eles precisavam, para se sustentarem no deserto estéril. Suas sandálias nunca se desgastavam, nenhuma doença podia prejudicá-los. Ele até era um pilar de nuvem durante o dia, e um pilar de fogo à noite – uma sombra do sol do meio-dia e depois calor e luz na escuridão fria do deserto.

De fato, Ele é Jeová Jireh, o “Senhor que provê”, pois Ele mesmo se proveu como um sacrifício para nossa salvação (Gênesis 22:14). Portanto, há todos os motivos para os cristãos celebrarem a provisão fiel do Senhor em nossas vidas em Sucot.

O Presente: Celebrando Sua Provisão e Presença Hoje
Sucot também marca a colheita no final da estação de crescimento do verão, que fornece sustento para o próximo inverno. Aqui na Terra de Israel, Sucot marca a época em que a maior parte da produção da terra amadurece para a colheita, incluindo cinco das sete espécies que Deus prometeu que os sustentariam na Terra (ver Deuteronômio 8:8). O trigo e a cevada são colhidos na primavera entre a Páscoa e o Pentecostes, enquanto as azeitonas, uvas, romãs, figos e tâmaras amadurecem para a colheita durante o outono em torno de Sucot. E eles precisam ser coletados antes que as chuvas de outono realmente comecem, o que também começa nessa época de festas.

De fato, o último dia da Festa dos Tabernáculos é reservado como um dia especial para orar para que as chuvas venham em seu devido tempo. No oitavo dia de Sucot, havia uma cerimônia especial nos pátios do Templo chamada libação de água. Envolvia os sacerdotes descerem à Fonte de Giom, ou Tanque de Siloé, e trazerem grandes cântaros de água – a mesma água sagrada e “viva” que havia sido usada para ungir Davi como rei – e despejá-la no altar do Templo. Isso era para lavar e limpar o altar uma vez por ano, mas também para oferecer no altar exatamente o que você estava orando naquele dia – chuvas dos céus. Não há templo hoje, então os judeus terminam a semana de Sucot com Simchat Torá – um dia de regozijo na entrega dos cinco livros de Moisés. Mas, nos tempos do Templo, esta cerimônia de libação de água era uma ocasião muito colorida e alegre, e era a única vez que as mulheres tinham permissão para subir em uma varanda com vista para o pátio do altar e observar o que estava acontecendo lá.

Agora pode surpreender alguns, mas Jesus também celebrou a Festa dos Tabernáculos. O livro de João, no capítulo 7, nos diz que um ano os discípulos subiram a Jerusalém para Sucot, mas Jesus ficou para trás e depois subiu secretamente. Então, no último “grande dia da festa”, Ele se levantou nos pátios do Templo e clamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”. (João 7:37-38) Ele provavelmente falou essas palavras enquanto todos assistiam com entusiasmo à cerimônia de libação de água, o que dá à Sua mensagem um significado ainda mais profundo.

Então, nós, como cristãos, temos boas razões para celebrar também a Festa dos Tabernáculos, para agradecer ao Senhor por Sua provisão em nossas vidas, e principalmente pelo dom do Espírito Santo aqui, nestes vasos de barro. E também podemos nos regozijar com a grande colheita de almas que está acontecendo agora mesmo, de todos os cantos do mundo, para o Reino de Deus. Estas são todas boas e válidas razões para os cristãos celebrarem Sucot, e onde melhor fazer isso do que todos juntos aqui em Jerusalém.

O Futuro: Entrando na Alegria do Senhor
A Bíblia também promete que, um dia, todas as nações virão a Jerusalém para guardar Sucot. O profeta Zacarias previu um tempo em que todas as nações subirão a Jerusalém de ano em ano para “adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e celebrar a Festa dos Tabernáculos” (Zacarias 14:16). Isso tem a ver com o futuro propósito profético escondido dentro da festa de Sucot. E é por isso que nós, da Embaixada Cristã, já estamos guardando Sucot agora, porque esse futuro propósito profético será revelado em breve – e tem a ver com a segunda vinda do Senhor.

Feast of Tabernacles

Durante a vindoura Era Messiânica, Zacarias diz que o mundo inteiro celebrará a Festa dos Tabernáculos. Será uma festa maior do que o Natal ou a Páscoa. E acredito que isso é porque marcará o retorno de Jesus à Terra. Por mil anos, estaremos olhando para trás no dia de Sua aparição, ou revelação, quando Ele se unirá à Sua noiva, assumirá o trono de Davi em Jerusalém e começará a julgar o mundo em justiça e paz.

Assim como vimos como as festas da primavera estavam ligadas pela contagem do ômer, e seus propósitos proféticos foram todos cumpridos em um momento na primeira vinda de Jesus, há muitos estudiosos judeus cristãos e messiânicos hoje, que acreditam nos propósitos proféticos, ocultos nas festas de outono, serão todos cumpridos em um momento em Sua segunda vinda. Rosh Hashaná, Yom Kippur e Sucot estão todos ligados entre si, e todos possuem grande significado profético. O shofar toca na lua nova, dez dias depois é o Dia da Expiação, e cinco dias depois é o início dos Tabernáculos. Paulo fala sobre “a última trombeta”, significando o último Dia das Trombetas ou Rosh Hashaná, quando o próprio Senhor descerá e desencadeará os eventos que marcarão o retorno de Jesus (1 Coríntios 15:51-52). E por mil anos, celebraremos e nos alegraremos em Seu retorno na Festa dos Tabernáculos.

Naquela época, todas as nações serão requeridas a participar deste encontro anual, mas, por enquanto, é voluntário. No entanto, quando os cristãos se reúnem em Jerusalém agora, para celebrar a Festa dos Tabernáculos, serve como uma poderosa declaração de fé que acreditamos que o dia está chegando, quando a terra finalmente descansará no Messias, o Rei de Israel.

ICEJ pilgrims Jerusalem March 2019

Nos últimos 42 anos, milhares de cristãos de todo o mundo vieram a Jerusalém a cada outono para celebrar a Festa dos Tabernáculos, promovida pela Embaixada Cristã Internacional em Jerusalém. Eles vêm com muita expectativa de participar de uma experiência de adoração dinâmica, sabendo que Aquele a quem adoramos, em breve, estará assentado em Seu trono, nesta grande cidade. De fato, celebrar Sucot agora nos dá uma amostra da alegria da era vindoura.

Ao encerrarmos este ensino, há outra passagem profética que, creio, fala da Festa dos Tabernáculos em Jerusalém. O capítulo 25 de Isaías afirma o seguinte:

O Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos e vinhos velhos bem-clarificados. Destruirá neste monte a coberta que envolve todos os povos e o véu que está posto sobre todas as nações. Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou.” (Isaías 25:6-8)

Esses versículos falam do Senhor preparando uma festa gloriosa no Monte Sião, em Jerusalém, que nada mais é do que a Festa das Bodas do Cordeiro. Jesus será unido à Noiva de Cristo, e Ele será coroado Rei de toda a terra e se sentará no trono de Davi em Jerusalém. O Senhor removerá o véu sobre o entendimento de toda a humanidade, o conhecimento da glória do Senhor cobrirá a terra, como as águas cobrem o mar (Isaías 11:9; Habacuque 2:14). A morte será tragada pela vitória (1 Coríntios 15:54), e Deus enxugará toda lágrima, assim como Apocalipse 7:17 e 21:4 atestam. E o Senhor removerá a repreensão ou reprovação que tantas pessoas fizeram ao povo judeu ao longo dessas muitas gerações. Amém!

Muitas vezes falamos da Noiva de Cristo se aprontando para se vestir, sem mancha nem impureza, naquele dia (Apocalipse 19:7-8; Efésios 5:27). Acredito que o Senhor está fazendo um trabalho em nossos dias para preparar Sua Noiva, e esse processo inclui colocar nossos corações em direção a Israel e o povo judeu. Ao longo dos séculos, muitas igrejas e cristãos tiveram enormes pontos cegos em relação aos judeus e seu relacionamento duradouro com Deus. Houve um véu sobre nossos olhos em relação a eles, o que levou tantos cristãos a desprezá-los. Mas Isaías diz que, um dia, o véu será quebrado, e o opróbrio de Seu povo será removido. Felizmente, o Espírito Santo está trabalhando para remover essas coisas agora dos olhos e corações de multidões de cristãos. Mas acredito que a Noiva de Cristo nunca estará pronta para receber Jesus, até que tenhamos nossos corações e entendimento corretos para com Seu próprio povo. No entanto, à medida que isso ocorre, mais e mais cristãos não estarão mais questionando por que celebramos a Festa dos Tabernáculos, mas perguntarão: “Como posso me juntar a vocês?”

Para obter mais informações sobre como participar da próxima celebração da Festa dos Tabernáculos do ICEJ, de 9 a 16 de outubro de 2022, acesse feast.icej.org